Comunicado dos ex-jogadores e ex-equipa técnica da Académica Futsal

14-03-2014 09:06
 

Foram muitas as declarações sobre a situação do futsal da Académica desde o início da temporada, depois da separação do Organismo Autónomo de Futebol. Com os desenvolvimentos recentes e consequente reestruturação, muitas dúvidas ficaram no ar, dúvidas essas que os atletas e equipa técnica que recentemente abandonaram o clube de Coimbra tentam esclarecer, dando a sua versão dos acontecimentos.

 

Leia o comunicado emitido pelos ex-atletas e ex-equipa técnica da Académica, publicado na página "Estamos com o Futsal da Académica", no Facebook, na íntegra:

 

"Vimos por este meio informar todos os sócios, adeptos e simpatizantes da Associação Académica de Coimbra/Futsal que, em função dos acontecimentos dos últimos meses, necessitamos de esclarecer, de uma vez por todas, e com clareza, a realidade por detrás de todas as saídas do tão afamado projecto de futsal da AAC, liderado pela pessoa “que nele manda” - João Almeida. Depois de no passado dia 18/01/2014 termos entregue um comunicado à direcção da AAC/Futsal e esta, apesar de ter-se comprometido a publicá-lo na sua página do Facebook, não o ter feito, sentimo-nos obrigados a contar tudo o que ficou por dizer outrora.

Relativamente à situação financeira, tudo começou no dia do primeiro treino quando, sem que nada o fizesse prever, a pessoa que manda pediu compreensão ao plantel e equipa técnica de forma a ser pago o mês de agosto apenas no final da época. Comprometeram-se a ajudar os mais necessitados naquele momento. Ninguém se opôs ao referido pedido. O início da COMPREENSÃO...

Durante a pré-época, registámos vários contratempos, desde a falta de equipamentos para treino, a refeições nos dias de treinos bidiários que ficaram prometidas e não aconteceram.

O campeonato iniciou sem que a equipa técnica e os atletas pudessem deslocar-se para os jogos

devidamente identificados. Porquê? Nada mais simples, não havia o devido equipamento de saída, vulgo, fatos de treino. Numa primeira divisão nacional, que exige uma imagem condizente, mais parecíamos um grupo que se juntou para apenas se ir divertir...

Com o passar do tempo, os problemas foram aumentando e as condições de trabalho ficavam cada vez mais deterioradas: falta de água quente nos balneários, inexistência de uma sala para análise de vídeo (preparação de jogos, exigência de primeira divisão), ausência de comunicação por parte da direcção, chegando ao cúmulo de não atenderem os pedidos de atletas para reuniões de esclarecimento.

Ainda assim, a COMPREENSÃO continuava e até fim de outubro ninguém levantou qualquer problema… Fazemos notar que, relativamente ao equipamento de jogo, só em novembro (com 2 meses de campeonato decorrido) apareceu, nas devidas condições, a camisola para utilização de guarda-redes avançado… Que profissionalismo!! Imagine-se que até o material para recuperação de atletas lesionados teve, não poucas vezes, de ser adquirido pelos enfermeiros.

Parece impossível, mas não foi…

Chegados a novembro, quem sempre disse que mandava no futsal da AAC - João Almeida, deu início a um rol de desculpas relacionadas com os acordos financeiros e o seu respetivo cumprimento. Promessas e mais promessas foi o que todos ouvimos e soluções nem vê-las. Porquê? É difícil dizer a verdade??

A direcção, liderada por João Almeida, para além de não cumprir com o pagamento acordado, faltou ainda aos compromissos individuais estabelecidos no início da época, e citamos: senhas de almoço para atletas universitários, propinas pagas para os mesmos, estatuto atleta/estudante… etc! O director geral chegou mesmo, vejam o descaramento, a simular ter consigo um comprovativo de uma transferência bancária efectuada, mas que na realidade, NUNCA existiu!!! Mais, e não menos importante, prometeu ao técnico de equipamentos uma verba mensal, bem como o passe para o autocarro, situação que também não cumpriu.

Com a completa descrença em tudo que passara a ser dito pelo director geral - João Almeida, e depois de esgotadas todas as tentativas de diálogo, tomámos a posição de não treinar, nunca de não jogar, para obter respostas claras da situação em que se encontrava o futsal. Reiteramos que esta foi a última alternativa que procurámos visto todas as outras não terem surtido efeito.

Nesse momento, em vez de procurar soluções, o que fez o responsável pelo futsal?? Decidiu, de forma unipessoal, suspender a actividade dos seniores e, imagine-se, MENTIR descaradamente na comunicação social, prestando declarações falsas sobre o que realmente se passava.

Ressalvamos que, para além de testemunhas do que dizemos, temos também provas escritas: diversas sms trocadas entre o capitão de equipa e o director geral.

Mesmo assim, este senhor que manda mas mente, teve a falta de carácter de, apesar das evidências, não assumir estes mesmos factos em reuniões que manteve com o grupo! Inqualificável!

Mesmo assim, NINGUÉM pode apontar o dedo aos cinco meses e meio de sacrifícios na defesa da camisola da Associação Académica de Coimbra/Futsal.

Este foi um grupo que se manteve unido e coeso até ao fim das suas forças, pelo que não admitimos que a nossa saída seja tratada de ânimo leve nem simplificada, muito menos questionando o academismo de atletas e técnicos, quando a direção tem conhecimento das situações dramáticas que aconteceram na vida pessoal de cada um, em função da falta de pagamentos acordada.

Mais acrescentamos que nenhum jogador abandonou o projeto por maus relacionamentos com jogadores ou com treinadores, mas sim devido às dificuldades em gerir um orçamento familiar e às infindáveis mentiras relacionadas com os pagamentos dos compromissos assumidos pela instituição.

Toda esta situação gerou um ambiente que se tornou intolerável em relação ao diretor geral, que chegou a pedir a sua demissão. Na altura não foi aceite porque o grupo achou por bem que quem

começou o projeto, e se responsabilizou por ele, devia dar a cara também no seu pior momento, pelo que ficou decidido que o mesmo seria substituído no cargo pelo Dr. Artur Cordeiro, até então um mero seccionista (culpa de quem???, sugestão de quem???), pretendendo-se assim menorizar o desgaste da imagem do diretor geral, que continuaria noutras funções, de retaguarda. No entanto, a contínua falta de cumprimento de várias promessas posteriores foi a gota de água, o que culminou com a saída de todo o plantel, que pura e simplesmente deixou de acreditar no que era transmitido por quem de direito. O FIM DA COMPREENSÃO!!

É importante salientar que os membros da direcção, João Paulo Fernandes e Dr. Artur Cordeiro, sempre foram honestos com o grupo e na altura de maior dificuldade compreenderam a opção que os atletas e corpo técnico tinham que tomar em função da falta de garantias financeiras. As nossas famílias não vivem do ar…

Hoje, estes senhores que mandam no futsal da AAC estão a viver o futsal de primeira, como lhe chamam, porque houve um conjunto de HOMENS que trabalhou afincamente durante ANOS para que a ACADÉMICA estivesse na primeira divisão, caso contrário, esses senhores continuariam pelas divisões secundárias, onde sempre andaram.

Aproveitamos ainda para frisar, visto circularem comentários elogiosos à continuidade do trabalho destes senhores (referimo-nos ao passado jogo contra o Póvoa Futsal), que basta verem o resumo e ouvirem o que realmente foi dito acerca da actual situação do futsal academista, para se constatar o que pensam VERDADEIRAMENTE o comum das pessoas que conhecem o Futsal.

Um dia houve em que fomos acusados, pelo director geral - João Almeida, de faltar ao respeito ao projecto, à Académica e a ele próprio.

Depois do que atrás expusemos, perguntamos: QUEM FALTOU AO RESPEITO A QUEM??

Parece-nos que estão bem claras as razões pelas quais os atletas e a equipa técnica tiveram que partir em busca de soluções para as suas vidas!

Quando não há respeito pelo próximo, é difícil exigir-se o que quer que seja…

Bem hajam. Saudações Académicas!

Assinam este Comunicado os ex-Atletas e ex-Equipa Técnica:

GONÇALO BARÃO

ANDRÉ SANTOS (PICASSO)

ANDRÉ BATALHA

PEDRO MARQUES

JOÃO GREGÓRIO

JOÃO BERSCH

JÚLIO MENDES

DEYVIT ESKERDA

JANDER PRACIANO

GAJ ROSIC

NINI

FÁBIO MENDES

VITOR (TÓ) COELHO

JOÃO OLIVEIRA "